O bem-estar das cidades por cima das pontes e viadutos

A Engenharia é uma ciência a serviço da vida. E poucas áreas demonstram isso com tanta
clareza quanto a infraestrutura viária — especialmente as pontes e viadutos que sustentam a
mobilidade e a economia do país. Mais do que obras de engenharia, essas estruturas
representam conexões que garantem a mobilidade, a integração territorial e o desenvolvimento
econômico e social das cidades. Preservá-las é garantir segurança à população e eficiência ao
sistema viário.


Com o passar do tempo, o tráfego intenso, as variações climáticas e a falta de manutenção
comprometem o desempenho e a segurança das estruturas. A inspeção periódica surge,
portanto, como ferramenta essencial para detectar precocemente anomalias, avaliar o estado de
conservação e planejar intervenções preventivas.


Dados oficiais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Agência de Transporte do Estado de São
Paulo (Artesp), mostram a urgência do tema: o Brasil tem mais de 113 mil pontes e viadutos,
e cerca de 11 mil estão em situação precária. O colapso da ponte Juscelino Kubitschek, no Rio
Tocantins, em dezembro de 2024, reforçou a necessidade de fiscalização contínua e
manutenção preventiva.


Diante desse cenário, o Crea-SP reforça seu papel como agente técnico do poder público.
Criamos um Comitê de Fiscalização de Pontes e Viadutos no âmbito da autarquia para apoiar
os municípios na inspeção e conservação dessas obras. É com esse propósito que o Conselho
disponibiliza o Manual de Inspeção em Estruturas de Concreto – Pontes e Viadutos,
desenvolvido pelo Comitê em parceria com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia
(Confea) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).


O material foi elaborado como instrumento de orientação técnica para apoiar profissionais,
gestores públicos e entidades de fiscalização na condução de inspeções em obras de arte
especiais. O documento aborda exemplos práticos de manifestações patológicas em estruturas
— como corrosão das armaduras por carbonatação ou cloretos, fissuras de origem térmica,
estrutural ou por recalque, lixiviação, desagregação superficial do concreto e destacamento do
cobrimento das armaduras (spalling).


Também descreve sintomas visíveis ou mensuráveis dessas ocorrências, como manchas de
umidade na face inferior do tabuleiro, desprendimento de concreto, fissuras longitudinais ou
transversais, desníveis entre vãos, aparelhos de apoio travados ou deslocados e eflorescências
indicativas de infiltração de água.


É essa visão técnica e preventiva que o manual busca disseminar, promovendo decisões
baseadas em diagnóstico preciso, critérios normativos e responsabilidade técnica.


A participação do profissional habilitado é indispensável em todas as etapas. Somente o olhar
técnico assegura que as avaliações sejam conduzidas com precisão e que os registros reflitam
as condições reais das estruturas, garantindo a durabilidade das obras e a segurança dos
usuários. O documento também reforça a importância da NBR 9452:2023, norma que
estabelece os critérios de inspeção e classificação das condições de pontes e viadutos no Brasil.
Esse trabalho reforça uma diretriz que o Crea-SP vem consolidando: subsidiar o poder público
com conhecimento técnico e científico. O Manual de Pontes e Viadutos é, portanto, mais do
que um conjunto de diretrizes. Ele expressa o compromisso do Crea-SP com a valorização da
área e com a cultura da manutenção preventiva. Ao oferecer uma base sólida e padronizada
para as inspeções, o documento contribui para prevenir riscos, otimizar recursos e promover
cidades mais seguras e sustentáveis. O compromisso é seguir atuando com dados, ciência e
responsabilidade técnica. A prevenção é sempre mais eficiente — e mais humana — do que a
reação.

Fonte: Comunicação Crea-SP